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Num comentário semanal na CNN Portugal, Mário Centeno afirmou que um possível entendimento entre Estados Unidos e Irão pode alterar de forma significativa as perspetivas económicas europeias e o caminho das taxas de juro definido pelo Banco Central Europeu.
Como um acordo EUA‑Irão pode mudar projeções do BCE
Centeno explicou que um desenlace diplomático capaz de reduzir o preço do petróleo e acalmar os mercados financeiros poderia fazer com que as previsões do BCE se revelassem excessivas. Isso, na sua análise, tornaria mais provável que a inflação ficasse abaixo até mesmo do melhor cenário considerado pelo regulador.
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Se isso acontecer, questionou, faz sentido manter um ciclo de apertos monetários? O antigo governador salientou que um aumento das taxas “numa única reunião é algo que do ponto de vista monetário não faz muito sentido”.
Otimismo cauteloso sobre o esforço de conciliação
Centeno classificou como “muito positivo” o avanço rumo a um entendimento entre Teerão e Washington, mas pediu prudência: “se tivermos de resumir numa palavra o que há a retirar de tudo isto é cautela”.
Na sua intervenção, o economista relacionou a volatilidade das decisões políticas com a figura do ex‑presidente norte‑americano: “Há um histórico de volatilidade muito grande em Trump”. Acrescentou que, na sua leitura, as políticas económicas promovidas por Trump não são sustentáveis. Também lembrou que, durante a escalada, Trump chegou a dizer que “gosta de inflação”.
Sobre as negociações específicas, Centeno afirmou que o Irão teve papel limitado na assinatura do memorando de entendimento. O fecho do Estreito de Ormuz foi, no seu dizer, um “choque de realidade”. Mas, acrescentou, o verdadeiro abalo veio do interior dos EUA: “O Pentágono lhe pediu 200 mil milhões de dólares para continuar a guerra e, desde esse dia, a guerra praticamente parou”.
O mercado de trabalho português em evidência
No plano doméstico, o antigo ministro das Finanças destacou o dinamismo do emprego em Portugal. Para Centeno, o país tem “o mais dinâmico dos mercados de trabalho na Europa”, apenas comparável ao espanhol e bem acima de mercados como a França ou a Alemanha.
Esse vigor traduz‑se em ganhos salariais importantes quando os trabalhadores mudam de emprego. Os dados, conforme o comentador, mostram que quem troca de trabalho vê um aumento salarial que, no ano da mudança, é o dobro do ganho de quem permanece na mesma função.
Centeno avisou que manter esse desempenho depende de não introduzir alterações institucionais que desajustem oferta e procura. A sua recomendação aos trabalhadores é prática: considerar a mobilidade profissional e a actualização de competências como caminhos claros para progressão.











