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O vídeoárbitro entra na sua 10.ª época seguida na I Liga, que arranca esta sexta‑feira, mas continua a gerar dúvidas sobre até que ponto deve intervir em lances de interpretação, diz o ex-árbitro e comentador Jorge Faustino. As decisões tecnológicas prometem reduzir erros claros, mas também colocam exigências novas para clubes, adeptos e para a própria arbitragem.
Portugal esteve entre os primeiros países a adotar o sistema aprovado pelo IFAB em 2016; o VAR passou a ser usado na I Liga em 2017/18 e desde então tem alterado rotinas dentro e fora do campo.
Expectativas versus limites
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Muitos clubes e torcedores pedem uma utilização mais ampla do VAR, sobretudo em situações controversas. Mas, segundo Faustino, ampliar intervenções em lances que dependem de interpretação pode aumentar o atrito em vez de resolvê‑lo.
O antigo árbitro sublinha que é necessário investir em explicação e em formação para que público e equipas entendam por que razão nem todos os lances são passíveis de correção automática. Essa componente educativa, diz, pode ser tão importante quanto afinar o próprio protocolo de intervenção.
O que já está no protocolo
Atualmente o VAR atua em situações de erro claro: golo, penálti, cartão vermelho direto e erros de identidade em sanções. Para 2026/27, foi adicionada a possibilidade de revisão quando um pontapé de canto foi assinalado de forma incorreta.
Esses limites procuram reduzir revisões intermináveis e preservar a fluidez do jogo, mas não eliminam debates sobre decisões com múltiplos ângulos e interpretações distintas.
Instruções da arbitragem e tempo de jogo
A Federação Portuguesa de Futebol, através do novo diretor técnico nacional de arbitragem, João Ferreira, tem transmitido orientações claras: os protocolos devem ser aplicados com maior celeridade no VAR e há um esforço para aumentar o chamado tempo útil da partida.
Segundo dados da LPFP, o tempo de jogo efetivo situa‑se em torno dos 55% desde 2021/22 — um indicador que as autoridades querem elevar com novas práticas e regras mais objetivas.
- Decisões mais rápidas no VAR, para evitar interrupções prolongadas.
- Regras temporais do IFAB que transformam certos recomeços em situações factuais (ex.: limites curtos para executar pontapés e substituições).
- Mediadas de controlo da perda de tempo em estudo para aplicação prática.
Faustino observa ainda que parte do ruído em torno da arbitragem resulta da estratégia de comunicação dos clubes: quando a época corre mal, há tendência para antecipar críticas que depois se transformam em narrativa pública.
Testes em curso e tecnologia por implementar
Algumas experiências adotadas noutros campeonatos, com autorização do IFAB, visam reduzir simulações e perdas de tempo — por exemplo, permitir que um jogador saia temporariamente do jogo quando o guarda‑redes trava o ritmo para instruções. Medidas deste tipo ainda são pontuais.
Quanto ao fora de jogo semiautomático, Faustino considera a tecnologia desejável, mas alerta para obstáculos práticos: além do investimento financeiro, a instalação das câmaras exige condições logísticas nem sempre disponíveis em todos os estádios.
Principais mudanças e pontos de atenção para 2026/27
- VAR na 10.ª época na I Liga; histórico de implementação desde 2017/18.
- Revisão de pontapés de canto adicionada ao protocolo de intervenção.
- Orientações para decisões mais céleres no VAR e aumento do tempo útil de jogo.
- Limites temporais definidos pelo IFAB para certos recomeços, facilitando a aplicação pelas equipas de arbitragem.
- Medidas experimentais para conter perdas de tempo em estudo/ensaio.
- Tecnologia de fora de jogo semiautomático ainda por implementar devido a custos e desafios logísticos.
Para o comentador, as alterações nas leis do jogo e os novos procedimentos podem acelerar a partida e proteger jogadores, além de dar mais segurança às decisões dos árbitros — desde que haja aplicação uniforme das regras.
A temporada promete discussões técnicas e comunicacionais: a curto prazo, os adeptos verão menos erros grosseiros corrigidos pelo VAR, mas continuarão a debater as decisões em lances de interpretação. Saber comunicar essas mudanças será crucial para reduzir conflitos ao longo da época.












