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No primeiro semestre de 2026, os oito concelhos servidos pela Lipor registaram um aumento na geração de resíduos de cerca de 1,9% face a igual período de 2025. Os dados divulgados esta quarta-feira mostram que a maior parte do lixo foi redirecionada para valorização energética, mas a associação alerta para a necessidade de maior adesão à reciclagem seletiva.
O crescimento aponta para uma pressão crescente sobre a gestão de resíduos numa área que inclui Porto, Maia, Matosinhos, Gondomar, Póvoa de Varzim, Vila do Conde, Espinho e Valongo. Para os responsáveis, é preciso envolver mais cidadãos para melhorar a qualidade dos fluxos recicláveis.
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Lixo dispara no Grande Porto: municípios servidos pela Lipor com mais resíduos
Principais números do semestre
Entre janeiro e junho foram registados avanços e retrocessos distintos conforme o tipo de material. A aposta na valorização energética evitou um aumento significativo do recurso ao aterro.

| Indicador | Valor | Variação vs 1S2025 |
|---|---|---|
| Produção de resíduos dos munícipes | +1,9% | — |
| Capitação estimada (kg por habitante/ano) | 117,8 kg | — |
| Encaminhado para valorização energética | 185.768 t | — |
| Energia elétrica produzida | 81.483 MWh | — |
| Resíduos depositados em aterro | 4.357 t | — |
| Materiais entregues para reciclagem (total) | 35.219 t | +2,8% |
| Papel e cartão | 13.021 t | pequeno aumento |
| Embalagens (plástico/metal) | 9.073 t | pequeno aumento |
| Vidro | 11.209 t | -0,6% |
| Biorresíduos alimentares | 14.110 t | +0,1% |
| Biorresíduos verdes | 12.446 t | -2,7% |
O que os números significam
A transferência de grandes volumes para a Central de Valorização Energética reduziu a pressão sobre os aterros, convertendo resíduos em energia que entrou na rede nacional. Ainda assim, a Lipor salienta que a quantidade recolhida seletivamente precisa de aumentar especialmente em vários fluxos.
Em termos práticos, isso implica duas consequências imediatas para os munícipes: mais materiais poderiam ser encaminhados para reciclagem se houvesse maior adesão às regras de separação; e a qualidade dos materiais entregues precisa de melhorar para serem efetivamente recicláveis.

Prioridades apontadas pela associação
- Expansão da recolha seletiva de vidro, papel/cartão, plástico e metal.
- Reforço muito significativo da recolha de biorresíduos.
- Ampliação da cobertura de serviços para alcançar cidadãos que ainda não separam resíduos de forma consistente.
Para a Lipor, uma maior participação da população é central para cumprir metas futuras e reduzir a dependência de soluções de fim de vida como o aterro. A associação sublinha que a melhoria dos processos passa tanto por campanhas de sensibilização como por investimentos na recolha e triagem.
A Lipor, criada em 1982, reúne os municípios do Porto, Maia, Matosinhos, Gondomar, Póvoa de Varzim, Vila do Conde, Espinho e Valongo e cobre aproximadamente 10% da população portuguesa. Os números do primeiro semestre de 2026 colocam novamente a gestão de resíduos no centro do debate municipal sobre sustentabilidade e serviço público.











