Empresários e representantes governamentais estiveram reunidos em Praia nesta sexta-feira no Fórum Empresarial Brasil—Cabo Verde—Portugal para discutir como transformar o arquipélago numa plataforma de negócios voltada para a África Ocidental. O debate centrou-se em investimentos em tecnologia, turismo e energia — áreas que podem gerar empregos e conectar Cabo Verde a mercados regionais e internacionais.
Durante o encontro, líderes do setor privado destacaram projetos já em curso e novas oportunidades de cooperação. A iniciativa mais imediata é a inauguração, marcada para a próxima semana, de uma plataforma digital que os organizadores dizem servir de polo para empresas de tecnologia com atuação remota.
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Gildo Batista, do Grupo Teletur do Brasil, explicou que a proposta passa por posicionar Cabo Verde como um centro para empresas digitais que atendam não apenas o arquipélago, mas também mercados africanos e clientes globais por meio do trabalho remoto. A agenda da Teletur inclui ainda missões de atração de investidores e iniciativas para promover o turismo local, reforçadas pela expectativa de retoma de voos diretos.

Do lado português, empresários apontaram campos claros de colaboração: turismo, construção, inovação tecnológica, segurança digital e fontes alternativas de energia. Para eles, a proximidade geográfica e os laços com a Europa tornam Cabo Verde uma porta de entrada estratégica.
João Fidalgo, presidente do conselho de administração do Fundo Soberano de Garantia do Investimento Privado de Cabo Verde, sublinhou o papel da localização geoestratégica na atração de capitais e observou que o transporte continua a ser “o maior desafio” para dar escala às ambições do país. O fundo quer agir como facilitador, aproximando investidores brasileiros e portugueses das necessidades locais.
O ministro José Carlos Varela resumiu o objetivo do fórum: transformar afinidades históricas em um espaço efetivo de investimento, partilha de conhecimento, transferência de tecnologia e criação de emprego. Segundo ele, os projetos devem combinar capital com know‑how e gerar benefícios concretos para a economia nacional.
Entre as áreas apontadas como prioritárias durante o evento estavam:

- Tecnologia e serviços digitais — atração de empresas para serviços remotos e segurança cibernética;
- Turismo — desenvolvimento sustentável que valorize natureza, cultura e gastronomia;
- Energias renováveis — projetos para aumentar autonomia energética e reduzir custos;
- Economia azul — cadeia de valor ligada ao mar, pesca e logística portuária;
- Transporte e logística — melhoria de conectividade aérea e marítima para reduzir o isolamento;
- Água e agricultura — investimentos em recursos hídricos e cadeias produtivas locais;
- Formação e inovação — programas que preparem mão de obra para novos investimentos.
Os participantes reforçaram que o aporte estrangeiro só será realmente transformador se vier acompanhado de transferência de tecnologia, capacitação e integração com empresas locais. A preocupação central é que o investimento gere empregos qualificados e fortaleça o tecido empresarial cabo-verdiano, em vez de limitar-se a fluxos financeiros passivos.
Além das oportunidades, o fórum deixou claro que há desafios práticos: a necessidade de infraestrutura de transporte, políticas públicas que facilitem parcerias público‑privadas e um plano consistente para converter recursos naturais em indústrias e serviços de maior valor agregado.
Com a inauguração do polo digital prevista para a semana que vem e a continuidade das missões empresariais, o evento em Praia marca um esforço coordenado para transformar intenções em projetos concretos. O sucesso dependerá, porém, da capacidade de atrair investimentos que tragam conhecimento e gerem empregos duradouros para os jovens cabo-verdianos.











