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Os recentes dados do PISA 2025 voltaram a acender um alerta sobre a escola portuguesa: os alunos de 15 anos mostram uma perda curricular que equivale a quase uma década em leitura, matemática e ciências. Esse retrocesso não é apenas estatística — tem impacto direto na equidade, no futuro profissional das novas gerações e na urgência de reavaliar como formamos e avaliamos professores.
O relatório expõe diferenças profundas: entre alunos de contexto mais desfavorecido e os mais afortunados há uma lacuna de aproximadamente quatro anos na leitura e cinco na matemática; escolas públicas recuam mais que privadas; estudantes imigrantes tendem a obter piores resultados. São sinais de que o papel da escola como mecanismo de mobilidade social está a enfraquecer.
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PISA confirma retrocesso dos estudantes: avaliação de professores está atrasada?
Investigadores nacionais também apontam para um problema concreto dentro das escolas: grande parte do tempo letivo não está a converter-se em aprendizagem efetiva. Ou seja, estar mais horas na escola não tem produzido automaticamente melhores competências.
Política educativa em constante mutação
Desde a primeira participação no PISA, em 2000, o sistema português tem sido alvo de alterações frequentes: programas, avaliações e prioridades que mudam de acordo com cada ministério. Essa oscilação impede a consolidação de políticas de longo prazo e reduz a capacidade de gerar resultados sustentados.

Contrastes internacionais ilustram o efeito da estabilidade: países como a Estónia, com políticas educativas coerentes e continuidade nas decisões, mantêm níveis de desempenho entre os melhores e conciliam inclusão e qualidade. Por outro lado, o gasto por aluno não é, por si só, garantia de excelência — o Luxemburgo investe muito mais por estudante, mas não supera escolas de países que gastam menos e aplicam melhores estratégias.
O papel dos professores
A força laboral docente em Portugal enfrenta desafios imediatos e de médio prazo. Dados do inquérito TALIS (Teaching and Learning International Survey) mostram um corpo de professores envelhecido: a média de idades ronda os 51 anos e apenas uma pequena percentagem tem menos de 30 anos. Entre os recém-formados, apenas uma parte recebe mentoría ao início da carreira.
Estas lacunas importam porque o país terá de recrutar dezenas de milhares de professores na próxima década. Segundo estimativas, serão necessários cerca de 38.000 docentes entre 2025 e 2035 — muitos alunos de 2029 ficarão a cargo de uma nova geração de profissionais.
Ao mesmo tempo, o trabalho docente é sobrecarregado: horários extensos, tarefas administrativas e a pressão por resultados figuram entre as principais fontes de stress identificadas pelos próprios professores. Esses fatores condicionam a formação contínua e a capacidade de inovação nas salas de aula.
- Formação inicial e acompanhamento: reforçar programas de entrada na profissão e garantir mentorias estruturadas.
- Avaliação construtiva: desenvolver instrumentos que medam competências docentes sem reduzir o trabalho a um ranking punitivo.
- Autonomia com responsabilidades: permitir que escolas tenham maior poder de contratação, vinculando essa liberdade a objetivos de qualidade e transparência.
- Alinhamento das avaliações: compreender por que exames nacionais e avaliações internacionais (PISA) apontam tendências diferentes e ajustar metodologias.
- Proteção do currículo amplo: manter disciplinas como história, artes e educação física, essenciais para o desenvolvimento completo dos alunos.
Entre tentativas passadas de introduzir mecanismos formais de avaliação docente houve reação forte da profissão. Modelos testados no passado — desde propostas de avaliação de desempenho a provas específicas aplicadas em determinados períodos — acabaram por ser alterados, contestados ou revogados. A memória dessas experiências impede, em parte, debates serenos sobre instrumentos eficazes e justos.
Uma proposta que volta com frequência no debate público é a criação de um diagnóstico sistemático para professores — uma espécie de avaliação comparável à que existe para alunos — mas pensada para mapear necessidades de formação, práticas pedagógicas e condições de trabalho, e não para produzir classificações simplistas. Se bem desenhada, poderia orientar políticas de formação e permitir que escolas responsabilizem-se pelos resultados das suas escolhas profissionais.
Essa ideia traz consigo uma pergunta política e prática: as escolas deviam ter autonomia para contratar? Nos sistemas privados e em alguns países onde a contratação local é comum, os resultados costumam ser melhores. Transferir essa competência para as unidades escolares públicas implicaria aceitar que dirigentes escolares respondam diretamente pelos efeitos das suas decisões — algo que muitos consideram difícil por receios de desigualdades ou favoritismos, mas que também pode aumentar a responsabilização e a ligação entre gestão e aprendizagem.
A responsabilidade precisa ser multilateral: do Estado, para garantir equidade territorial e recursos; das escolas, para selecionar e formar docentes; dos professores, para investir na sua atualização profissional; das famílias, no acompanhamento educativo. Sem responsabilidades claramente atribuídas e mecanismos de apoio, qualquer mudança estrutural terá impacto limitado.
Por fim, há uma reflexão cultural e curricular a não perder: valorizar apenas ciências, matemática e leitura pode empobrecer o projeto educativo. Disciplinas artísticas, desporto e humanidades contribuem para competências essenciais à vida em sociedade e ao desenvolvimento de talento individual — e não devem ser sacrificadas em nome de metas numéricas de curto prazo.
Os resultados do PISA 2025 tornam urgente repensar decisões que acumulam há anos. Melhorar a educação não é tarefa de um único ministério nem de uma só geração de professores: exige políticas estáveis, avaliação reflexiva e uma aposta clara na formação e autonomia das escolas. Se o objetivo for mesmo garantir oportunidades iguais, esse debate tem de sair do nível retórico e passar a medidas concretas.











