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As festas do Sardoal, realizadas entre 18 e 22 de setembro, misturaram tradição e comércio local numa celebração que também marcou os 495 anos desde que a vila foi elevada por ordem de D. João III, a 22 de setembro de 1531. O evento destacou a vitalidade dos artesãos locais e o papel das iniciativas municipais na manutenção de saberes como a cerâmica.
Do ateliê à banca
Ana Sofia Bento, 57 anos, descobriu a paixão pela cerâmica há cerca de dez anos, num curso promovido em Sardoal. O interesse cresceu até se tornar actividade regular no ArtOf – Espaço Partilhado para Artes e Ofícios, um ateliê municipal onde criadores produzem e comercializam peças com custos facilitados.
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Convidada por colegas, Ana começou a dar aulas na Universidade Sénior. O entusiasmo dos alunos foi rápido: muitos continuaram a praticar e acabaram por integrar o espaço partilhado. Hoje o grupo soma 14 membros, dos quais 12 estiveram presentes na banca da ArtOf durante as festas.
Um dos momentos mais aguardados no processo criativo é a abertura do forno, depois de quase 48 horas de espera. O resultado pode ser fonte de grande alegria — quando tudo corre bem — ou de frustração, caso a peça não resista ao cozimento.
Inspiração entre redes e natureza
A inspiração de Ana funde referências das redes sociais com elementos do quotidiano: as flores aparecem com frequência nas suas jarras e objectos decorativos. Nas aulas, parte da recompensa é ver a surpresa e a satisfação dos alunos ao retirar as peças, ainda quentes, do forno.

- Datas das festas: 18 a 22 de setembro
- Aniversário histórico: 495 anos desde a Carta de Mercê (22/09/1531)
- Grupo de cerâmica: 14 participantes (12 na banca)
- Tempo de cozedura: cerca de 48 horas até abrir o forno
- Espaço: ArtOf — oficina municipal para produção e venda
Reencontros e tradição
Para além das bancas de artesanato, as ruas foram palco de reencontros. Há quem não falte uma edição — como David Lobo — e quem retorne após longos intervalos, como Carlos Maria, ausente por quatro anos.
Ambos sublinham que o apelo do festival vai além dos nomes do cartaz: o principal é o convívio e a oportunidade de rever familiares e amigos que vivem longe. Essa componente social, dizem, sustenta a relevância do evento para a comunidade local.
O entusiasmo olha já para o futuro. David não esconde o desejo de ver grandes nomes no palco quando o Sardoal assinalar meio milénio. “Daqui a cinco anos vai ser uma festa espectacular”, afirmou, brincando e acrescentando a esperança de ver os Xutos & Pontapés nas comemorações dos 500 anos.











