Tecnologia barata, lixo caro: Público diz que ‘fast tech’ se populariza em Portugal

O estudo sobre “fast tech” revela que 82,5% dos portugueses compraram pelo menos um produto de tecnologia barata entre agosto de 2025 e julho de 2026, segundo o PÚBLICO.

O artigo do PÚBLICO define “fast tech” como pequenos aparelhos eletrónicos de baixo custo — carregadores, cabos USB, auriculares, luzes LED e mini-ventoinhas — usados por pouco tempo e substituídos com facilidade.

A pile of anonymous small electronic gadgets — chargers, earbuds, USB cables — scattered on a kitchen table, no logos or faces

O inquérito, promovido pelo WEEE Forum e conduzido pela consultora Bellegarde Scientific Consulting sobre 10.245 adultos na Europa (503 em Portugal), aponta que Portugal está acima da média europeia: 82,5% dos portugueses compraram “fast tech” versus 78% na média dos 12 países analisados, refere o PÚBLICO.

O estudo também mostra que 17,8% dos inquiridos portugueses admitem já ter colocado estes equipamentos no lixo comum ou em contentores inadequados, abaixo dos 23% médios europeus; 41,9% indicaram ter usado ecocentros ou instalações municipais para os encaminhar.

Anonymous hands dropping a small electronic device into a generic household bin, blurred background, no branding

O PÚBLICO escreve que 87% dos consumidores nos 12 países têm pelo menos um produto de “fast tech” e que 44% têm mais de cinco. Entre os jovens de 18 a 29 anos, 93% compraram este tipo de produtos no último ano, contra 61% entre maiores de 65 anos.

Segundo o jornal, mais de metade dos compradores europeus (58%) usa um produto de “fast tech” durante seis meses ou menos e 39% disseram descartá-lo após uma única utilização ou antes de completar um mês. Ainda assim, 61% afirmam estar satisfeitos com estes produtos.

O PÚBLICO cita responsáveis do Electrão e do WEEE Forum: Ricardo Furtado, director-geral de Eléctricos e Pilhas do Electrão, lembra que “devemos prolongar o seu uso” e encaminhá-los para reciclagem; Pascal Leroy, director-geral do WEEE Forum, alerta que a Black Friday e o Natal podem trazer “outra enorme vaga” desses pequenos gadgets.

O levantamento sublinha também que apenas 29% dos consumidores sabem que as plataformas online são obrigadas a contribuir para os sistemas de recolha e reciclagem, enquanto 57% desconhecem essa obrigação — uma lacuna que, escreve o PÚBLICO, pode transferir custos para sistemas de recolha que não foram financiados.

Peritos citados no artigo vinculam o crescimento da “fast tech” a riscos concretos: o Global E-waste Monitor 2024 é referido para lembrar que apenas 22,3% dos 62 milhões de toneladas de resíduos eléctricos e electrónicos gerados em 2022 foram formalmente recolhidos e reciclados, e que baterias de iões de lítio podem provocar incêndios quando descartadas incorretamente.

O PÚBLICO avisa que muitos destes aparelhos acabam guardados em gavetas: 33,6% dos portugueses que compraram “fast tech” admitem guardar equipamentos que deixaram de utilizar, segundo o mesmo estudo.

Para quem procura mais riscos associados à tecnologia barata e compras de dispositivos económicos, veja também a cobertura sobre aparelhos Android e segurança e as perspetivas para preços de PCs na nossa secção de tecnologia.

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Sources

  • PÚBLICO — dados do estudo do WEEE Forum, números relativos a Portugal (82,5%), disposições de resíduos (17,8%), e citações de responsáveis do Electrão e do WEEE Forum.

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