Feira da Golegã passa a património imaterial: candidatura avança rumo à UNESCO

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A Feira da Golegã acaba de ser inscrita no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, num reconhecimento oficial publicado no Diário da República em 12 de Outubro. A decisão sublinha a importância histórica e identitária desta mostra equestre — e abre caminho para uma nova etapa: a intenção de apresentar a feira à Lista Representativa da UNESCO.

O presidente da Câmara local, António Camilo, considera a classificação um passo decisivo para proteger tradições que atravessam gerações e para potenciar a projeção turística da região. A autarquia anunciou ainda que pretende levar a proposta de candidatura ao secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, numa cerimónia marcada para sexta‑feira, 16 de Outubro.

O que foi reconhecido

O registo no inventário abrange um conjunto de manifestações que, historicamente, se articulam na Golegã: a Feira de São Martinho, a Feira Nacional do Cavalo e a Feira Internacional do Cavalo Lusitano. Juntas, estas iniciativas congregam criadores, cavaleiros, campinos, artesãos e outros intervenientes do mundo equestre.

Cavalos e tratadores reunidos numa feira equestre
Várias manifestações equestres reúnem criadores, cavaleiros e artesãos na Golegã.

O organismo responsável pela classificação, Património Cultural, I.P., realçou a continuidade histórica do evento e o seu papel como símbolo da comunidade local e da cultura equestre portuguesa.

Impactos imediatos e potenciais

Para a câmara municipal, o registo nacional pode ter efeitos práticos: aumento da atração turística, visibilidade mediática reforçada e maior capacidade de angariar apoios institucionais e privados. Esses benefícios, admitiu a autarquia, poderão ajudar a sustentar a feira a médio e longo prazo.

Visitantes a observar expositores num evento cultural ao ar livre
A inscrição no inventário pode aumentar a atratividade turística e a visibilidade do certame.

  • Reconhecimento oficial: inscrição no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (publicação em 12 de Outubro).
  • Abrangência: Feira de São Martinho, Feira Nacional do Cavalo e Feira Internacional do Cavalo Lusitano.
  • Atores envolvidos: criadores, cavaleiros, campinos, artesãos e comunidade local.
  • Documentação: processo com cerca de 2 000 páginas em suporte digital e físico.
  • Próximo passo: intenção de candidatura à Lista Representativa da UNESCO; reunião prevista com o secretário de Estado da Cultura a 16 de Outubro.

O dossiê apresentado demorou mais de um ano a ser preparado e inclui vasta documentação comprovativa das práticas, saberes e continuidade do certame.

Por que isto importa hoje

Além do valor simbólico, a classificação altera o enquadramento institucional da feira: torna mais explícita a responsabilidade pública na sua salvaguarda e cria condições formais para procurar financiamentos e parcerias. Num momento em que eventos culturais competem por atenção e recursos, esse estatuto representa uma vantagem estratégica.

Para os moradores e agentes locais, o reconhecimento também funciona como afirmação de identidade: preserva práticas ligadas ao cavalo lusitano e assegura que saberes tradicionais continuem a ser transmitidos.

Apesar do otimismo institucional, a transição para uma candidatura UNESCO exigirá trabalho adicional — desde a articulação com entidades nacionais até o cumprimento de critérios técnicos — e dependerá do apoio político e logístico nas próximas semanas.

A cerimónia anunciada para 16 de Outubro, na qual a câmara espera formalizar o pedido de apoio à candidatura, será o primeiro momento público para avaliar o enquadramento político e operacional dessa ambição.

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