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Dois tipos de cavalos-marinhos vivem junto à margem do Estuário do Tejo — e agora vêm beneficiar de uma intervenção que junta ONG, empresas e comunidade local. A escolha do estuário como próxima área a proteger foi feita por colaboradores e clientes do Lidl Portugal, numa parceria com a WWF Portugal dentro da iniciativa nacional de restauro D-EVOLUÇÃO.
A D-EVOLUÇÃO, lançada em 2025, pretende recuperar ecossistemas degradados mobilizando cidadãos, empresas e decisores. O Lidl financiou o estudo que definiu nove prioridades para restauro no país, a plataforma digital do projeto e a campanha de comunicação. O primeiro projeto financiado focou-se no Parque Nacional da Peneda-Gerês, onde a venda de sacos solidários gerou cerca de 180 mil euros para recuperar 30 hectares; o próximo objetivo é proteger habitats marinhos no Tejo.
Celebração e plano no antigo presídio da Trafaria
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Em 7 de setembro, a apresentação do plano para o Estuário do Tejo decorreu no antigo presídio da Trafaria, com a presença de representantes da WWF, da Câmara Municipal de Almada, da junta local, da equipa científica da MARDIVE, do Lidl e da comunidade. Foram explicadas as intervenções previstas para tentar travar o declínio desta população marinha e proteger os fundos do estuário.

Porque isto importa agora: o Estuário do Tejo é uma das maiores zonas húmidas da Europa, mas sofre forte pressão humana — poluição, ruído subaquático, lixo e obras previstas ameaçam espécies frágeis. Em 2022, o problema evidenciou-se quando dezenas de cavalos-marinhos tiveram de ser resgatados em regime de emergência.
Carrinhos de supermercado: abrigo improvável
Os estudos de campo realizados pela MARDIVE revelaram que os cavalos-marinhos se fixam frequentemente em estruturas artificiais e entulho no fundo do estuário. Entre esses elementos, eram visíveis vários carrinhos de supermercado.

Em vez de retirar imediatamente todo o lixo, a equipa decidiu transformar um problema em solução temporária: os carrinhos foram limpos, retirou-se o plástico perigoso e adaptaram-se pontos de fixação para ancorar as estruturas sem danificar outros habitats. Dois serralheiros locais ajudaram a recondicionar os equipamentos; o resultado foi um circuito de nove carrinhos, instalados em três locais diferentes da Baía da Trafaria.
Como explicou Gonçalo Silva, mergulhador responsável pelo trabalho subaquático, a intenção é permitir que os animais se estabeleçam nesses abrigos enquanto se procede à limpeza e se planeja um restauro mais natural do fundo.
- Diagnóstico e envolvimento da comunidade local;
- Censos para quantificar as populações de cavalos-marinhos;
- Construção e colocação dos abrigos artificialmente adaptados;
- Mergulhos regulares de monitorização;
- Ações de comunicação e educação ambiental.
O projeto já completou o diagnóstico, os censos iniciais, a construção e a instalação dos abrigos, e iniciou as primeiras missões de vigilância. As próximas etapas incluem a continuidade das monitorizações, campanhas de sensibilização e atividades educativas com escolas e comunidade.
O papel do Lidl e o financiamento
Segundo Vanessa Romeu, Diretora de Corporate Affairs do Lidl Portugal, a marca investiu cerca de 300 mil euros desde o arranque da colaboração — resultado das vendas dos chamados sacos solidários e do apoio institucional. “Restaurar não é só plantar árvores: exige intervenções técnicas e investimento dirigido”, afirmou, sublinhando também o valor da economia circular ao dar uma nova função a carrinhos que, de outro modo, seriam descartados.
O período formal do projeto está previsto entre abril de 2026 e março de 2028, com mergulhos de monitorização coordenados por Gonçalo Silva e equipas da WWF para avaliar como as estruturas estão a ser usadas pelos cavalos-marinhos.
O encerramento da apresentação incluiu uma visita à Baía da Trafaria, onde uma equipa de mergulhadores entrou ao mar para continuar as observações in loco — um lembrete de que conservação é trabalho contínuo e que iniciativas locais combinadas com financiamento e ciência podem alterar trajetórias ecológicas.
O que está em risco e o que pode mudar: sem ações coordenadas, a poluição e as obras previstas podem reduzir ainda mais a presença de Hippocampus guttulatus e Hippocampus hippocampus no estuário. Se as medidas de restauro e o envolvimento da comunidade se mantiverem, há hipótese de reversão local do declínio.
- Período do projeto: abril de 2026 — março de 2028;
- Equipe científica: MARDIVE em parceria com WWF Portugal;
- Intervenções principais: recondicionamento de abrigos artificiais, limpeza, monitorização e educação ambiental.
Encontrar cavalos-marinhos no lado sul da ponte sobre o Tejo lembra que áreas urbanas e industriais podem, com vontade política, ciência e contributo cidadão, transformar-se em zonas de refúgio para espécies ameaçadas. O próximo passo será acompanhar se as soluções temporárias — como os carrinhos recondicionados — evoluem para um restauro mais natural e duradouro do habitat.











