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Uma pequena comunidade na ilha de Pamarawan, ao largo da Baía de Manila, trocou muros de concreto por estruturas vivas feitas com bambu e conchas de ostra — uma mudança que já aliviou os impactos das tempestades e que pode servir de exemplo para outras zonas costeiras das Filipinas. A iniciativa tem relevância prática agora, num país marcado por fracassos em projetos de proteção tradicionais e pela urgência de soluções mais económicas e adaptáveis.
Durante anos, moradores elevaram paredes e fundações com betão na tentativa de travar as cheias, sem sucesso consistente. Muitos relataram noites sem sono quando tufões se aproximavam e vibrações nas lajes sempre que as ondas batiam com força.
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Da engenharia convencional para soluções baseadas na natureza
Depois de um estudo municipal, realizado em parceria com uma empresa de engenharia holandesa, concluiu-se que diques de betão sozinhos não seriam suficientes para proteger a ilha a médio e longo prazo. A partir de maio de 2025, a comunidade começou a testar uma alternativa: **estacas de bambu** preenchidas com ramos e sacos de fibra de coco recheados com **conchas de ostra**, montadas sobre um cordão inicial de areia marinha.

A 100 metros da costa, equipas locais fincaram estacas de madeira que sustentam essas bolsas de concha. A configuração pretende reduzir a energia das ondas antes que atinjam as habitações e, ao mesmo tempo, reter sedimentos para elevar gradualmente o leito marinho.
Lyana Galang, responsável pelo projeto, descreve a função principal como a atenuação do impacto direto das ondas, criando condições para que mangais possam se estabelecer.
Como funciona e o que muda para a comunidade
A estratégia combina duas frentes: as **estruturas físicas** (bambu e sacos de concha) que dissipam a força do mar e os processos naturais de acumulação de sedimentos que, ao longo do tempo, favorecem o crescimento de vegetação costeira. Esse processo transforma a linha costeira de forma gradual, oferecendo uma barreira viva e autoajustável.

- Benefícios observados: menor altura das ondas junto à costa, água mantida à distância durante tufões recentes, e redução de perdas nas atividades de pesca e secagem de peixe.
- Limitações: soluções baseadas na natureza não substituem totalmente infraestruturas rígidas em situações de inundações extremas; exigem manutenção e monitorização contínuas.
- Custos: o projeto cobre cerca de 14 hectares e soma aproximadamente 70 milhões de pesos com manutenção — menos do que os ~90 milhões de pesos estimados para um dique de betão equivalente.
- Risco ambiental: o bambu degrada-se, libertando carbono à medida que se decompõe, por isso a gestão sustentável dos materiais é essencial.
Especialistas filipinos chamam atenção para o contexto nacional: por décadas, obras de protecção com **diques de betão** foram executadas sem estudos suficientes e, em alguns casos, com materiais de baixa qualidade, gerando polémica e investimentos desperdiçados. A experiência em Pamarawan surge como uma alternativa prática, mas não como uma solução universal.
Repercussões e perspetivas
Os primeiros resultados já atraíram consenso local: pescadores e famílias perceberam uma redução imediata nos estragos causados por ondas e monções. Moradores que antes viam as áreas de secagem do peixe submergirem relatam menos prejuízo no seu sustento.
O presidente da Câmara local afirma que o efeito real deve ficar mais claro ao longo da próxima década, conforme sedimentos se consolidarem e mangais se expandirem — um ganho que fortaleceria a resiliência costeira de forma natural e contínua.
Ao mesmo tempo, cientistas alertam que a replicação do modelo exige estudos locais, planos de manutenção e avaliação dos impactos a longo prazo. Sem esses cuidados, há o risco de soluções temporárias que atrasem intervenções estruturais necessárias em áreas mais vulneráveis.
Resumo prático
Para leitores e gestores de áreas costeiras, a experiência de Pamarawan sugere algumas pistas práticas:
- Testar intervenções baseadas na natureza pode reduzir custos iniciais e trazer benefícios rápidos.
- A combinação de técnicas (vivas e construídas) costuma ser mais eficaz do que qualquer abordagem isolada.
- Monitorização, manutenção e estudo prévio são essenciais para evitar repetição de erros do passado.
Enquanto a comunidade celebra o alívio imediato proporcionado pelas novas estruturas, o caso ilustra um dilema maior das Filipinas: como equilibrar a necessidade de proteção rápida com a construção de soluções duradouras, transparentes e ecologicamente responsáveis.











