Águas do Ribatejo aplica 18 M€ em obras de água e saneamento em 2027: 40% por fundos comunitários

A Águas do Ribatejo anunciou um plano de investimentos de cerca de 18 milhões de euros para 2027, com obras destinadas a reforçar a capacidade e a resiliência das redes de água e saneamento nos municípios que serve. A proposta, divulgada esta terça-feira à agência Lusa, combina intervenções técnicas e medidas para reduzir perdas e preparar os sistemas para eventos climáticos extremos—assuntos que têm impacto direto nas contas e na qualidade de serviço dos consumidores.

O dinheiro será aplicado sobretudo na recuperação de infraestruturas já existentes e na introdução de novos pontos de captação. Entre as ações previstas estão a reabilitação de reservatórios e estações elevatórias, a substituição de troços envelhecidos das condutas e a expansão do abastecimento para áreas ainda sem cobertura.

Uma das prioridades é o sistema que serve grande parte do concelho de Benavente — incluindo Benavente, Samora Correia e Vale Tripeiro — onde a empresa pretende duplicar a capacidade de tratamento e de reserva. A intenção é garantir fornecimento face ao crescimento habitacional e à instalação de atividades económicas na região.

  • Objetivos técnicos: duplicar capacidades em pontos críticos; aumentar reservas; construir novas captações.
  • Resiliência: reforço das redes e intervenções no saneamento para fazer face a eventos meteorológicos extremos.
  • Eficiência: redução das perdas não faturadas de 29,5% (2025) para cerca de 26–26,5% até fim de 2027.
  • Financiamento: cerca de 40% do pacote previsto será coberto por fundos comunitários.

A empresa sublinha a necessidade de reduzir a dependência de pontos únicos de captação. Em várias localidades, sistemas apoiavam-se numa única origem de água, situação que, em caso de avaria, poderia criar cortes prolongados no abastecimento. As obras visam, portanto, criar redundância e prolongar a vida útil de captações que se aproximam do limite operacional.

No domínio do saneamento, além de obras para cumprir as novas exigências europeias sobre tratamento de águas residuais, estão previstas melhorias para tornar as redes menos vulneráveis a chuvas intensas e inundações — episódios que, segundo a empresa, se tornaram mais frequentes.

Grande parte dessas intervenções são invisíveis ao utilizador final, mas têm impacto direto na confiabilidade do serviço. “Investir em resiliência não gera necessariamente receitas adicionais imediatas, mas evita rupturas e prejuízos futuros”, explicou o presidente da Águas do Ribatejo à Lusa.

Quanto ao financiamento, o apoio comunitário — apontado como absolutamente decisivo pela administração — permitirá avançar com projetos em territórios de baixa densidade onde a viabilidade económica pura não cobriria os custos.

Desde 2009, a concessionária já aplicou entre 175 e 180 milhões de euros em modernização das redes e melhoria dos serviços, cobrindo perto de 80 mil clientes num território extenso. A empresa gere hoje aproximadamente 2.300 quilómetros de condutas, uma dispersão geográfica que complica a deteção de fugas e torna a monitorização contínua essencial.

A modernização inclui também a instalação de contadores inteligentes, sistemas de monitorização e o reforço das equipas de campo para localizar perdas que não chegam à superfície. A meta é reduzir a água não faturada dos 29,5% registados em 2025 para algo entre 26% e 26,5% até final de 2027.

Para o ano que vem, a proposta de atualização tarifária é de 2,5%, ainda sujeita ao parecer da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR). O montante anunciado fica abaixo da inflação antecipada e, segundo a direção, manterá as tarifas da empresa aquém da média nacional, conciliando a necessidade de financiar obras com a proteção do orçamento das famílias.

Ao lado dessas medidas técnicas e financeiras, a Águas do Ribatejo reforça a sua condição de entidade intermunicipal: é detida pelos municípios de Almeirim, Alpiarça, Benavente, Chamusca, Coruche, Salvaterra de Magos e Torres Novas, e é responsável pela gestão dos sistemas públicos de abastecimento e de saneamento nas respetivas áreas.

O programa de 2027 será acompanhado da busca por fundos europeus e do aumento da fiscalização e dos equipamentos de deteção, numa aposta que combina ação imediata — para reduzir perdas e melhorar a resposta a avarias — com investimentos estruturais voltados para a adaptação às alterações climáticas e para a coesão territorial.

Dê o seu feedback

Seja o primeiro a avaliar este post
ou deixe uma avaliação detalhada



Distrito Online é um meio independente. Apoie-nos adicionando-nos aos seus favoritos do Google News:

Publicar um comentário

Publicar um comentário