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O Revolut registou um lucro líquido recorde de €1,5 mil milhões em 2025, um salto de 65% face a 2024, segundo o relatório divulgado esta terça-feira. O resultado reforça a trajetória da fintech rumo ao estatuto de banco global e traz efeitos práticos para clientes, concorrentes e reguladores — sobretudo em mercados onde a empresa quer expandir, como Portugal.
Desempenho financeiro e escala
O crescimento sustentado da receita, aliado a uma base de utilizadores em expansão, impulsionou margens e fluxos de caixa da empresa. As receitas consolidadas subiram para €5,3 mil milhões, um acréscimo próximo de 46% em relação ao ano anterior.
Os saldos mantidos pelos clientes aumentaram de forma acentuada, refletindo maior confiança e uso da plataforma: os depósitos cresceram 66%, para €57,5 mil milhões. Paralelamente, a carteira de empréstimos expandiu-se 120%, atingindo €2,5 mil milhões, com destaque para créditos pessoais, cartões de crédito e uma carteira hipotecária em fase inicial.
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O banco também registou avanço na componente de juros: a receita líquida de juros subiu 23%, para cerca de €1,1 mil milhões, enquanto a margem antes de impostos alcançou 38% — três pontos percentuais acima de 2024.
- Lucro líquido: €1,5 mil milhões (+65% vs 2024)
- Receitas: €5,3 mil milhões (+46%)
- Saldos de clientes: €57,5 mil milhões (+66%)
- Carteira de empréstimos: €2,5 mil milhões (+120%)
- Volume de transações: €1,4 biliões (+65%)
- Clientes totais: 68,3 milhões (+30%) — +16 milhões no ano
- Revolut Business: 767 mil clientes (+33%) e 16% do total de receitas
Tráfego e uso: transações e negócios
O número de transações por utilizador subiu 24% e o volume processado pela unidade empresarial da fintech representou uma fatia significativa do total: €323 mil milhões foram canalizados pela Revolut Business.
Para além dos indicadores de volume, a empresa destaca maior penetração de produtos pagos e serviços financeiros, impulsionando receitas recorrentes e diversificação de fontes de rendimento.
Expansão, licenças e investimento
A administração afirma estar a acelerar a aquisição de licenças bancárias em várias jurisdições, passo considerado essencial para oferecer produtos mais abrangentes e operar sob regimes de proteção locais.
Em linha com essa estratégia, o Revolut comprometeu-se a investir €11,5 mil milhões nos próximos cinco anos para financiar internacionalização e inovação tecnológica — uma alocação relevante que mostra as ambições da empresa além da rentabilidade imediata.
Portugal no radar
Em comunicado, a fintech revela ambição explícita de reforçar a sua posição em Portugal: pretende tornar-se o principal parceiro financeiro para os seus mais de 2,3 milhões de utilizadores no país e antecipa ultrapassar os 2,5 milhões ainda este ano.
Na prática, isso pode traduzir-se em oferta ampliada de produtos locais, maior foco em cartões, crédito ao consumo e hipotecas, e esforços por mais integração com serviços nacionais. Para os consumidores, a expansão de licenças bancárias implica também mudanças no enquadramento regulatório e nos mecanismos de proteção de depósitos, dependendo das jurisdições onde essas licenças sejam obtidas.
O que interessa aos leitores
Os números divulgados mostram uma fintech já madura em termos de rentabilidade e escala, mas com um plano de investimento agressivo que deverá intensificar concorrência com bancos tradicionais. Para clientes, isso pode significar mais serviços e preços competitivos; para o mercado, maior pressão sobre margens e inovação no setor financeiro.
Do ponto de vista regulatório, a expansão de licenças será acompanhada de perto — a consolidação internacional traz ganhos de confiança, mas também obrigações adicionais às autoridades locais.
Até meados de 2027, o Revolut mantém a meta de chegar a 100 milhões de utilizadores, meta que condicionará decisões de produto, parcerias e alocação de capital nos próximos meses.












