Cineclube em Almada nasce para travar o fecho de salas de cinema

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Almada vai ganhar um novo pólo de cinema comunitário ainda este mês: o CineCarochas entra em cena a 21 de maio no histórico Salão das Carochas, com uma programação que junta debates com realizadores e sessões dirigidas a várias faixas etárias. Num momento em que salas e festivais enfrentam pressão do streaming, a iniciativa promete reforçar o circuito cultural local e colocar o cinema português no centro da cidade.

Programação e primeiros filmes

O ciclo de abertura concentra-se em produções nacionais e terá um total de dez sessões até 17 de dezembro. Sob o mote «Deus, pátria, não… Cinema português, sempre!», a curadoria surge como uma resposta prática à diminuição do espaço exibitivo tradicional.

Entre as obras já anunciadas estão:

  • Projecto Global — Ivo Ferreira
  • O Riso e a Faca — Pedro Pinho
  • Banzo — Margarida Cardoso (acompanha conversa com a realizadora)

Além das exibições, a oferta inclui sessões especiais com debate, permitindo ao público dialogar diretamente com cineastas portugueses ao longo do ano.

Junho: celebração e programação para crianças

No contexto das comemorações dos 50 anos de cidade, o CineCarochas acolhe o programa Está Tudo em Festa. Está prevista uma sessão extra em 25 de junho para apresentar o novo filme de João Nuno Pinto, 18 Buracos Para o Paraíso.

Paralelamente, o cineclube terá programação dirigida a bebés, crianças e adolescentes: todas as manhãs de domingo em junho, por volta das 11h, haverá atividades pensadas para os mais novos, uma aposta clara na formação de públicos.

O lugar e o impacto local

Instalado no Largo Conde Ferreira, o Salão das Carochas já recebeu o Centro de Interpretação de Almada Velha e, desde 2020, funciona como espaço cultural polivalente. A autarquia vê no projeto uma forma de criar “um ambiente de partilha e liberdade” e de fortalecer um ecossistema cinematográfico que tem vindo a crescer na cidade.

Para além de oferecer alternativas ao consumo passivo de conteúdos por streaming, o CineCarochas pode:

  • servir de plataforma para realizadores emergentes;
  • revitalizar a atividade cultural no centro histórico;
  • criar oportunidades de mediação e formação para famílias e jovens;
  • fomentar discussão pública sobre temas abordados nos filmes, como colonialismo e ditadura.

O formato — sessões regulares, conversas e programação infantil — pretende também consolidar redes profissionais locais, atraindo agentes culturais que já vivem ou trabalham em Almada.

Em paralelo, outras cidades mostram tendência semelhante: no passado sábado, 18 de abril, abriu em Leiria um novo cineclube com foco em programação independente, incluindo primeiras obras, extensões de festivais, filmes protocinematográficos (das décadas de 1910 e 1920), videoarte e registos em Super 8.

Num momento de mudança no setor audiovisual, iniciativas desse tipo reforçam a importância de espaços físicos de exibição e debate — não só como lazer, mas como pilares de uma comunidade cultural mais ativa e participativa.

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