O ministro da Administração Interna pediu cautela imediata face à subida das temperaturas prevista para os próximos dias, avisando que práticas festivas e trabalhos agrícolas podem agravar o risco de incêndios. A mensagem visa reduzir perigos numa semana em que a meteorologia favorece fogos e pode afetar a segurança pública e a saúde.
Em conferência de imprensa realizada em Carnaxide, Oeiras, Luís Neves alertou para uma combinação de calor intenso, humidade muito baixa e ventos moderados que deverá tornar a janela climática “especialmente crítica” para o país, com termómetros a atingir valores muito elevados em algumas regiões do interior e no Alentejo.
O ministério aguarda atualizações técnicas sobre o nível de risco — o chamado Perigo de Incêndio Rural (PIR) — que chegarão nas próximas 24 a 48 horas e que definirão medidas oficiais. Se o PIR for classificado como elevado ou muito elevado, o Governo admitiu adotar medidas coordenadas entre vários departamentos.
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Enquanto a decisão final não sai, o apelo do executivo foi claro: evitar actos que possam provocar ignições. Entre as recomendações e proibições temporárias figuram:
- Proibir ou suspender o uso de balões de mecha e fogos-de-artifício em festas populares;
- Não usar maquinaria que produza faíscas, como roçadoras de disco e outros equipamentos agrícolas suscetíveis de iniciar incêndios;
- Cancelar queimadas e queimas agrícolas até que o risco diminua;
- Manter vigilância reforçada e denunciar condutas perigosas às autoridades competentes.
O ministro sublinhou que estas recomendações não são meros conselhos: dependendo da evolução do risco, podem traduzir-se em medidas legais e operacionais, através de um despacho que envolva várias áreas governamentais.
Dados apresentados na conferência mostram que já foram identificadas e detidas mais de 120 pessoas este ano por causarem incêndios, em maioria por negligência — um número comparável ao do ano passado, quando houve 155 detenções ao longo de toda a época crítica.
Para fortalecer a resposta, Luís Neves explicou que o Comando Integrado de Prevenção e Operações (CIPO), presente em Leiria com fins preventivos, recebeu instruções para passar a modo operativo caso as condições piorem. O executivo também garantiu que não haverá falta de financiamento para as ações de combate às chamas.
Impacto na saúde e nas populações vulneráveis
As autoridades preparam-se para um possível incremento da mortalidade associado às ondas de calor e apelam às famílias para protegerem idosos e grupos mais frágeis. A Saúde está a identificar espaços que possam acolher pessoas sem condições de habitabilidade durante os episódios extremos.
O próprio ministro recordou que a limpeza de terrenos ficou atrasada em muitas áreas por causa das tempestades de janeiro e fevereiro, o que aumenta a vulnerabilidade face a um verão mais quente do que o habitual.
Participaram também na reunião do Centro Coordenador Operacional Nacional (CCON) representantes da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) e outros agentes essenciais, com vista a afinar medidas de prevenção e resposta.
O apelo final é direto: reduzir comportamentos de risco agora pode evitar incêndios catastróficos mais adiante. A população é chamada a colaborar com vigilância ativa e comunicação imediata de situações perigosas às autoridades locais.












