Ser sustentável deixou de ser opcional

Mostrar resumo Ocultar resumo

Especialistas que participaram num videocast do SME EnterPRIZE alertam que adiar a transição para práticas sustentáveis pode penalizar as PME no acesso a mercados, ao financiamento e na própria competitividade. A conversa reuniu Norma Franco, partner da EY, e Nuno Gonçalves, vice‑presidente do IAPMEI, e focou limitações práticas e oportunidades para as empresas que ainda não integraram a sustentabilidade na estratégia.

Priorizar ação em vez de começar pela documentação

Norma Franco apontou um erro recorrente: muitas empresas iniciam o percurso sustentável pela elaboração de relatórios, sem antes identificar quais são os temas que verdadeiramente fortalecem a resiliência do negócio.

Para a partner da EY, a resposta passa por aumentar a literacia interna, capacitar equipas e incorporar critérios de sustentabilidade na tomada de decisão e na alocação de capital. Definir prioridades claras evita dispersão de recursos e ajuda a transformar a sustentabilidade em valor para a atividade principal.

Pressões vindas da cadeia e do financiamento

Mesmo quando não existem obrigações legais diretas, as PME sentem o efeito das exigências das maiores empresas clientes e das instituições financeiras. Empresas que já estão sujeitas a metas de sustentabilidade começam a pedir informação aos fornecedores.

Além disso, o acesso ao capital está cada vez mais dependente de critérios ambientais, sociais e de governação, o que torna a integração destas práticas uma questão de acesso a oportunidades de negócio e financiamento.

Planeamento e mudança na liderança

Nuno Gonçalves sublinhou a importância de criar espaço estratégico para pensar o futuro em empresas pressionadas por crises sucessivas. Segundo o vice‑presidente do IAPMEI, a liderança tem um papel central na incorporação da sustentabilidade.

Mas a transformação exige também estrutura e capacidade operacional: equipas formadas, processos internos e uma cultura que considere a sustentabilidade como parte da missão empresarial. Sem isso, a mudança tende a ficar limitada.

Apoios há muitos, mas nem sempre acessíveis

Gonçalves destacou que nunca existiram tantos instrumentos de incentivo à sustentabilidade ligados à eficiência energética e descarbonização, citando programas como o PRR e o Portugal 2030, bem como sistemas de apoio à inovação e à qualificação.

Norma Franco reconheceu a disponibilidade de fundos, mas alertou para as barreiras práticas: avisos e candidaturas podem ser complexos de interpretar e as soluções nem sempre estão desenhadas à medida das necessidades das PME.

Cooperação para acelerar a transição

O debate terminou com um apelo à colaboração. Trabalhar isoladamente dificulta a resposta aos novos requisitos.

  • Parcerias com clientes e fornecedores
  • Relações com universidades e centros tecnológicos
  • Articulação com instituições financeiras e entidades públicas

Segundo o IAPMEI, apostar em redes e em projetos conjuntos pode facilitar o acesso a conhecimento, recursos e financiamentos necessários à transição.

O videocast deixou claro que a sustentabilidade deixou de ser um tema periférico: exige estratégia, liderança, planeamento e cooperação. Para as PME, adiar essa integração significa correr riscos crescentes sobre competitividade, resiliência e capacidade de crescimento.

Dê o seu feedback

Seja o primeiro a avaliar este post
ou deixe uma avaliação detalhada



Distrito Online é um meio independente. Apoie-nos adicionando-nos aos seus favoritos do Google News:

Publicar um comentário

Publicar um comentário