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O último relatório Freedom in the World 2026 volta a colocar a liberdade no centro do debate global: pelo 20.º ano consecutivo, o indicador mostra um recuo acumulado na liberdade política e civil em muitos países. Esta tendência tem impacto direto — desde a fragilidade das instituições até fluxos migratórios e riscos para a estabilidade regional.
Em 2025, mais estados pioraram do que melhoraram: 54 registaram retrocessos nas liberdades, contra 35 que avançaram. Entre os exemplos recentes estão quedas significativas em países africanos e latino-americanos, enquanto, entre os que mais se deterioraram ao longo de duas décadas, surgem regimes hoje classificados como *não livres*.
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O relatório identifica quatro forças que explicam grande parte do declínio: conflitos armados, golpes de Estado, o afrouxamento das salvaguardas democráticas e a repressão deliberada. Em comum, observa-se a erosão das garantias que travam abusos de poder — quando essas barreiras cedem, a perda das liberdades costuma ser progressiva e difícil de reverter.
Em vários estados, líderes eleitos têm manipulado processos eleitorais, esvaziado parlamentos e limitado o papel de tribunais independentes. A imprensa e a sociedade civil perdem espaço; a liberdade de expressão continua entre as áreas mais afetadas nas últimas duas décadas.
Impactos concretos para os cidadãos e para a Europa
Quando instituições deixam de funcionar como contrapesos, a democracia pode manter aparência formal, mas perder conteúdo. Isso traduz-se em menos responsabilização, decisões públicas menos transparentes e maior risco de violência institucional.
Para países europeus, inclusive Portugal, o quadro global tem implicações práticas: pressiona políticas de integração, prioridades de segurança e prioridades de cooperação internacional. A chegada de migrantes escapa ao debate simplista de portas abertas vs. fechadas — trata‑se de conciliar acolhimento com políticas que assegurem o respeito pelos princípios fundamentais da democracia.
O episódio em Ceuta ilustra esse desafio: coloca questões sobre quem chega, porquê e de que forma as fronteiras e os mecanismos de proteção aplicáveis foram geridos. A resposta pública eficaz exige regras claras, coordenação e, acima de tudo, a defesa do Estado de direito.
Autoritarismo em diferentes rostos
Os retrocessos não se limitam aos regimes abertamente repressivos. Países antes considerados estáveis também sofreram abalos: por exemplo, os Estados Unidos registaram sinais de regressão devido a tensões políticas e a fragilidades institucionais que minaram mecanismos de fiscalização e combate à corrupção.
A progressão costuma obedecer a um padrão: primeiro, enfraquecem-se tribunais e parlamentos; depois, restringem-se direitos e, por fim, normalizam-se práticas que antes seriam inaceitáveis. As técnicas de conquista de apoio popular — propaganda, controlo de narrativas, campanhas bem afinadas — tornaram‑se mais sofisticadas.
Onde procurar ajuda: organizações em Portugal
Para migrantes e refugiados em Portugal, existem várias organizações que prestam apoio jurídico, social e de integração. Eis algumas referências úteis:
- JRS Portugal — oferece assistência jurídica para processos de regularização, asilo e outras questões migratórias, além de pareceres técnicos sobre legislação.
- Renovar a Mouraria — projeto local em Lisboa que acompanha procedimentos de regularização e apoia quem vive ou trabalha na freguesia de Santa Maria Maior.
- Lisbon Project — iniciativa focada na integração e capacitação de migrantes e refugiados, com serviços de apoio jurídico e comunitário.
- Mundo Feliz — presta apoio na regularização e também na procura de emprego, entre outros serviços práticos.
- Linha de Apoio ao Migrante — serviço telefónico com informação imediata e encaminhamentos: 808 257 257 / 218 106 191.
Estas respostas da sociedade civil são essenciais, mas não substituem políticas públicas fortes que promovam inclusão, respeito pelos direitos e educação cívica. A integração bem-sucedida passa por explicar e reforçar os valores essenciais de uma democracia pluralista.
O alerta final
O Freedom in the World 2026 deixa uma advertência clara: a liberdade não é um ponto de chegada permanente. Em muitos países, a regressão foi lenta e acumulativa — imperceptível para parte da população até que as liberdades já estavam significativamente reduzidas.
Para cidadãos e responsáveis políticos, a lição é prática: proteger a independência das instituições, garantir transparência e preservar mecanismos de responsabilização não são detalhes técnicos, são o núcleo que sustenta a liberdade pública. Perder esse núcleo tem custos altos e duradouros — e a urgência da resposta explica por que este assunto importa agora.











