Na abertura do “Momento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, nesta sexta-feira em Nova Iorque, o secretário‑geral da ONU alertou que os compromissos firmados com os ODS estão a ficar para trás e pediu ações imediatas para recuperar o rumo até 2030. A mensagem é direta: a próxima década exigirá decisões concretas e financiamento real para evitar retrocessos que já afetam saúde, segurança alimentar e economias ao redor do mundo.
António Guterres iniciou o evento inaugural da Semana de Alto Nível da 81.ª Assembleia‑Geral sublinhando que metas ambiciosas exigem medidas igualmente transformadoras. Segundo ele, promessas dos Estados‑membros não se sustentam apenas no papel — é preciso executá‑las.
O alerta ganha peso num momento de crises sobrepostas: a pandemia de covid‑19 reverteu anos de progresso em indicadores sociais; conflitos regionais perturbam cadeias de abastecimento de alimentos e energia; e a crise climática acelera, aproximando o planeta do limite de 1,5 ºC. Para cidadãos comuns, isso significa custos maiores, serviços públicos pressionados e maior vulnerabilidade a choques.
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Guterres pressiona governos a agir e cumprir os ODS

Os ODS são um conjunto de 17 metas adotadas em 2015 pela Assembleia‑Geral da ONU, com objetivo de erradicar a pobreza, ampliar acesso a serviços básicos, reduzir desigualdades e proteger o meio ambiente até 2030. Desde a adoção, houve avanços em áreas como mortalidade infantil, eletrificação e acesso à internet, mas esses ganhos foram parcialmente anulados por reveses recentes, destacou o secretário‑geral.
Guterres lembrou que o desenvolvimento global enfrenta obstáculos que vão além da saúde pública: divisões geopolíticas e baixa confiança entre países têm minado a cooperação necessária para implementar soluções em larga escala.
Ele também apontou problemas financeiros que travam o progresso: muitos países em desenvolvimento lidam com endividamento elevado, espaço fiscal reduzido e investimentos insuficientes, enquanto recursos públicos são direcionados a gastos militares crescentes.
O titular da ONU — que deixará o cargo no final do ano — propôs quatro frentes de ação imediata para voltar a acelerar os ODS:

- Combater a desigualdade — políticas fiscais e sociais que protejam os mais vulneráveis e reduzam disparidades.
- Cuidar do planeta — acelerar a transição energética e medidas de adaptação climática para manter viva a meta de 1,5 ºC.
- Financiar o desenvolvimento sustentável — aliviar o peso da dívida, ampliar recursos e direcionar investimentos a prioridades sociais.
- Acelerar o progresso com ferramentas existentes — usar tecnologia, parcerias público‑privadas e cooperação internacional para escalar soluções.
Entre esses pontos, Guterres colocou a restauração de esforços pela paz como central: sem estabilidade, disse, é praticamente impossível consolidar um desenvolvimento duradouro e resiliente. Esse apelo reflete a visão de que segurança e prosperidade são mutuamente condicionadas.
Na prática, recuperar o ritmo dos ODS implica decisões que afetam diretamente governos, empresas e comunidades: priorizar gastos sociais, reformar regimes tributários, proteger direitos das mulheres e meninas, e fortalecer cadeias alimentares e energéticas. Para o cidadão, esses passos podem traduzir‑se em melhores serviços de saúde, educação mais inclusiva e menor exposição a choques climáticos e econômicos.
O “Momento ODS” reúne líderes e especialistas para discutir iniciativas globais e nacionais que possam transformar compromissos em resultados mensuráveis. A ONU lembra que, em última análise, o avanço dependerá de responsabilidade compartilhada e ação coletiva — nenhum ator conseguirá atingir as metas isoladamente.
Com menos de uma década até 2030, a mensagem em Nova Iorque foi clara: o tempo para promessas acabou; é hora de converter metas em políticas e recursos tangíveis, sob pena de ver retrocessos que já começam a afetar milhões de pessoas.











