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O ano de 2025 manteve a tendência de aquecimento global: a temperatura média do planeta fechou em 14,97 ºC, valor que coloca 2025 ligeiramente acima da média de referência de 1991–2020 e próximo do recorde histórico. A novidade perturbadora é que, pela primeira vez, um triénio inteiro (2023–2025) ultrapassou consistentemente a marca de 1,5 ºC acima do período pré-industrial — um sinal de que o aquecimento deixou de ser episódico para se tornar sustentado.
O conjunto de dados divulgado pelo serviço Copernicus esta quarta-feira confirma padrões já esperados, mas ainda assim preocupantes para cientistas e responsáveis políticos. Para especialistas, a mensagem é direta: as mudanças observadas já estão a produzir efeitos que exigem decisões imediatas sobre adaptação e mitigação.
O que os números dizem
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Alguns pontos-chave do relatório traduzem o alcance do fenómeno:
- Temperatura média global (2025): 14,97 ºC — cerca de 0,6 ºC acima da média 1991–2020 e aproximadamente 0,1 ºC abaixo do recorde do ano mais quente registado.
- Triénio 2023–2025: média superior a 1,5 ºC face ao período pré-industrial — a primeira vez que isto acontece de forma consistente ao longo de três anos.
- Comparações anuais: 2025 foi o “mais frio” dentro do triénio, ficando 0,01 ºC abaixo de 2023 e 0,13 ºC abaixo de 2024.
- Registos regionais: a Antártida atingiu a maior temperatura média anual medida (1,05 ºC) e o Ártico registou a segunda maior média já observada (1,37 ºC).
- Temperatura do ar sobre terra: a segunda mais elevada de sempre, apenas atrás de 2024.
O que isto implica — e por que importa agora
Ultrapassar repetidamente o limiar de 1,5 ºC não é apenas um número técnico: traduz-se em maior frequência e intensidade de eventos extremos, alterações na circulação atmosférica e oceânica e impactos acumulativos sobre ecossistemas, agricultura e comunidades costeiras.
“Estamos a observar as leis da Física a manifestarem-se nas medições”, afirma o climatologista Carlos da Câmara, do Instituto Dom Luiz. Para ele, as variações registradas são consistentes com o efeito esperado do aumento de gases com efeito de estufa: a Terra retém mais calor e os sistemas naturais reorganizam-se em resposta.
Mauro Facchini, da Observação da Terra na Comissão Europeia, reconhece o carácter indesejado do marco: “Ultrapassar uma média de três anos de 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais é um marco que nenhum de nós desejava atingir”. Carlo Buontempo, responsável pelo Copernicus, alertou para a “rápida aproximação do limite definido pelos Acordos de Paris” e frisou que as escolhas de hoje vão determinar como as sociedades gerem um futuro com impactos mais frequentes e severos.
Consequências práticas
As implicações concretas para o cidadão e para os decisores são diversas e já perceptíveis:
- Aumento de eventos climáticos extremos (ondas de calor, secas e chuvas intensas).
- Pressão acrescida sobre sistemas agrícolas e cadeias de abastecimento.
- Elevação do nível do mar e risco ampliado para zonas costeiras e infraestruturas.
- Desafios para políticas públicas: necessidade de acelerar medidas de adaptação e reduzir emissões.
Os números do Copernicus não alteram por si só o que já se sabia, mas reforçam a urgência das decisões públicas e privadas. A diferença agora é que o aquecimento deixou de aparecer como picos isolados e passa a manifestar-se de forma persistente — um cenário que reduz o espaço de manobra para responder apenas depois dos impactos se manifestarem.
Especialistas sublinham que, embora alguns anos possam ser ligeiramente mais frios que outros, a tendência de longo prazo continua ascendente. A mensagem prática: mitigar emissões e preparar sociedades para um clima já em mudança são medidas complementares e urgentes.












