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O arquiteto português José Deodoro Troufa Real celebra 85 anos neste sábado num jantar marcado para o Teatro Camões — e quem assina o serviço de mesa e o menu é o chef brasileiro Márcio Ricci, que traz sabores do Brasil para um evento da alta sociedade lisboeta. A escolha revela como a gastronomia de fusão continua a abrir pontes culturais e a ocupar espaços de prestígio em Portugal.
Radicado em Portugal há mais de duas décadas, Márcio Ricci dirige o Café Ballet, no próprio Teatro Camões, e gere o Ricci Catering & Eventos, empresa que presta serviço a clientes institucionais e corporativos. Para a festa de aniversário de Troufa Real, o chef preparou um menu que mistura clássicos europeus com ingredientes brasileiros.
Um menu com sotaque brasileiro
Entre as propostas estará o tradicional vol-au-vent francês, mas recheado com **Catupiry**, o queijo cremoso muito popular no Brasil — curioso por ter origem associada a um imigrante português. Outra opção clássica ganha um toque tropical: o Bife Wellington será servido com um coulis de maracujá que contrasta com a massa folhada.
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O bacalhau, presente em praticamente todas as mesas portuguesas, não ficou fora: o lombo chega acompanhado de pera e castanha-do-pará, assente sobre uma broa que acrescenta textura e um elemento de fusão entre tradição lusa e ingredientes brasileiros.
- Vol-au-vent com Catupiry — clássico reinventado
- Bife Wellington com coulis de maracujá — mistura de técnicas
- Bacalhau com broa, pera e castanha-do-pará — encontro de sabores
Trajetória e clientela
Natural do pequeno município de Miraselva, no Paraná, Márcio mudou-se para a Europa em 2000 inicialmente para tratar de assuntos de cidadania. Uma experiência profissional como mordomo no Estoril abriu portas: convidado a provar-se no serviço, manteve-se e acabou por enveredar pela cozinha profissional.
Ao longo dos anos, Ricci acumulou formação com mestres de renome e experiências internacionais que alargaram o seu repertório. Hoje, além do café no teatro — onde prepara também a inauguração de uma esplanada com vista para o Rio Tejo — o chef organiza eventos para entidades como a Embaixada do Brasil em Lisboa, a Microsoft e provas de grande visibilidade, como o Enduro GP.
Em feiras profissionais, Ricci tem levado a gastronomia regional brasileira a palcos portugueses: na BTL (a maior feira de turismo em Portugal) representou um estado do Nordeste e serviu pratos típicos como o arroz Maria Isabel com queijo coalho e carne seca.
O que este encontro significa
A presença de um menu influenciado pelo Brasil num jantar de homenagem a uma figura central da arquitetura portuguesa aponta para tendências maiores: a valorização de cozinhas híbridas e o papel de chefs de origem estrangeira na cena gastronómica lisboeta.
Para o público, a aposta traduz-se em experiências sensoriais que cruzam memórias e ingredientes; para a restauração, indica uma procura por propostas que combinem tradição com novidade — um fator relevante para eventos de prestígio e para instituições que procuram oferta gastronómica diferenciada.
Ricci diz que define a sua cozinha como uma fusão entre clássicos europeus e “sabores das suas raízes”. Essa abordagem explica por que menus como o do Teatro Camões fazem sentido: unem técnica, memória e identidade num contexto social e cultural de grande visibilidade.
Num país onde o bacalhau e a broa são símbolos identitários, pequenas intervenções — o uso da castanha-do-pará, o queijo Catupiry, o coulis de maracujá — funcionam como pontes entre tradições e novas leituras culinárias.
No plano prático, o Ricci Catering continuará a atender grandes eventos ao longo do ano e promete iniciativas que valorizem estados brasileiros e ingredientes regionais — uma agenda que reforça a presença brasileira na gastronomia portuguesa contemporânea.












