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A nova versão de Nosferatu chegou à Prime Video nesta segunda-feira e reabre debate sobre como revisitar clássicos do terror sem perder a identidade original. A adaptação de 2024, assinada por Robert Eggers, aposta num terror gótico e psicológico que privilegia atmosfera e personagens em vez de sustos fáceis — e isso tem impacto direto na receção do público e nas discussões sobre o cinema de horror contemporâneo.
O filme é inspirado no marco de 1922 dirigido por F.W. Murnau, uma referência histórica do género que continua a influenciar cineastas. Eggers não busca copiar cenas icónicas, mas sim reinterpretar a lenda do vampiro com uma estética europeia mais sombria e uma abordagem psicológica aos seus protagonistas.
O que distingue esta versão
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Ao contrário da figura sedutora que aparece em muitas narrativas de vampiros, o antagonista de Eggers surge como uma presença monstruosa e decadente: Count Orlok é retratado sem glamour. A narrativa desloca parte do foco para Ellen Hutter, transformando-a de mero objeto de terror em uma personagem complexa, marcada por desejo, culpa e sacrifício.
O tom do filme privilegia o desconforto e a construção de atmosfera. Espere tensão prolongada, enquadramentos meticulosos e uma preocupação com detalhes de produção que sustentam o clima de horror gótico.
Elenco e recepção crítica
O elenco reúne nomes conhecidos: Lily‑Rose Depp interpreta Ellen Hutter; Nicholas Hoult vive Thomas Hutter; Willem Dafoe surge como o professor Albin Eberhart von Franz; e Bill Skarsgård dá vida a Count Orlok — esta foi a terceira colaboração entre Skarsgård e Eggers.
- Aprovação da crítica: 85% no Rotten Tomatoes
- Aprovação do público: 73% no Rotten Tomatoes
- Orçamento estimado: cerca de 43 milhões de euros (50 milhões de dólares)
- Arrecadação mundial: aproximadamente 157 milhões de euros (181 milhões de dólares)
- Indicações ao Óscar 2024: Fotografia, Design de Produção, Caracterização e Guarda‑roupa — sem vitórias
Os números mostram que o filme foi bem recebido em termos de público e crítica especializada, sobretudo pela sua identidade visual e pela caracterização dos protagonistas.
Por que isto importa para o público hoje
Além do interesse histórico e estético, a chegada à Prime Video amplia o acesso a uma produção que revive um ícone do cinema mudo sob um olhar moderno. Para quem acompanha o género, é uma oportunidade de comparar tradições narrativas — o horror expressionista europeu versus as tendências contemporâneas — e notar como temas como trauma e desejo são reelaborados hoje.
O facto de o filme ter passado primeiro por outra plataforma (SkyShowtime) e agora integrar o catálogo da Prime Video também ilustra estratégias de distribuição cada vez mais fragmentadas: lançamentos em janelas múltiplas que afetam onde e quando os espectadores conseguem ver títulos relevantes.
Resumo rápido
- Original: 1922, F.W. Murnau
- Remake: 2024, Robert Eggers
- Género: horror gótico, tensão psicológica
- Onde ver: Prime Video (estreou nesta segunda‑feira); disponível anteriormente na SkyShowtime
Se procura uma experiência de horror que privilegia o desconforto atmosférico e interpretação de personagens em detrimento de sustos repentinos, a nova versão de Nosferatu merece ser vista. Para os curiosos sobre a evolução do género, o filme oferece material suficiente para discussão — tanto estética quanto temática.












