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Évora recebe, entre 9 e 11 de outubro, a primeira edição do festival Guadiana — um encontro literário que junta 28 autores de nove países e coloca a cidade no centro de um debate atual sobre língua, memória e liberdade de expressão. Além das mesas de conversa, o programa combina música, oficinas e sessões públicas com acesso gratuito.
O festival integra a agenda de Évora 27 — Capital Europeia da Cultura e propõe um mapa de diálogos entre autores que escrevem em português e espanhol, numa altura em que as questões sobre desinformação e autoritarismo dominam discussões públicas. A iniciativa usa a geografia do rio Guadiana como conceito: cruzamentos, fronteiras e trocas culturais como ponto de partida.
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Principais momentos que não pode perder
A maior parte das atividades decorre no Teatro Garcia de Resende, com eventos distribuídos por três dias. Entre os destaques estão conversas que abordam a relação entre literatura e democracia, a influência dos lugares na escrita e a leitura como ato de resistência.

- 9 de outubro, 16:00 — Lídia Jorge, Juan Gabriel Vásquez e Ondjaki discutem o papel dos escritores face às ameaças à liberdade de expressão.
- 9 de outubro, 17:00 — Debate sobre paisagem e escrita com Afonso Cruz, Frederico Pedreira e Raquel Gaspar Silva.
- 9 de outubro, 18:00 — João de Melo, Anna Pacheco e Dulce Maria Cardoso falam sobre a leitura como resistência.
- 10 de outubro, manhã — Oficina para crianças (6–12 anos) com Joana Estrela na Livraria Fonte de Letras, focada em ilustração e representação do tempo.
- 10 de outubro, 23:00 — No Bar A Mandrágora, sessão de spoken word “Vozes com Asas e Raízes” com Raquel Lima.
- 11 de outubro, tarde — Conversa sobre verdade, mentira e ficção com Lídia Jorge, Sara Mesa e Emiliano Monge; Ondjaki fala sobre natureza e silêncio na literatura.
- 11 de outubro, 19:00 — Encerramento musical com Luca Argel e o espetáculo solo “Mapas de um Homem Triste”.
Além dos nomes já referidos, o festival reúne autores como Gonçalo M. Tavares, José Luís Peixoto, Tatiana Salem Levy, Sara Mesa e Emiliano Monge — uma programação pensada para promover cruzamentos entre diferentes tradições e línguas.
O que está em jogo
Num cenário em que a circulação de informação é rápida e muitas vezes polarizada, o Guadiana procura reforçar a importância da literatura como espaço de reflexão e de diálogo. As mesas centram-se em temas concretos: identidade, periferia versus centro, memória coletiva e os limites entre ficção e jornalismo.

Para o público, a consequência imediata é a oportunidade de assistir a debates com autores de destaque internacional e participar em atividades gratuitas que valorizam práticas artísticas e educativas. Para a cena literária ibero‑atlântica, o festival quer ser um ponto de encontro regular e um motor de cooperação entre escritores e leitores.
Países representados e formato
- Países: Angola, Argentina, Brasil, Colômbia, Espanha, México, Nicarágua, Portugal e São Tomé e Príncipe.
- Formato: mesas redondas, oficinas infantis, sessões de autógrafos, spoken word e concerto final.
- Acesso: toda a programação é com entrada gratuita; as sessões no Teatro exigem levantamento prévio de bilhete gratuito; oficinas e o spoken word têm entrada livre sujeita à lotação.
O nome do evento — Guadiana — refere‑se ao rio que liga Portugal e Espanha e funciona aqui como metáfora para ligações culturais. A organização anunciou a intenção de manter o festival nos anos seguintes, com Évora a assumir-se como palco permanente para encontros entre literaturas em língua portuguesa e espanhola.
Se pretende assistir, confirme locais e horários e levante os bilhetes gratuitos com antecedência para as sessões no teatro; espaços como a Livraria Fonte de Letras e o Bar A Mandrágora têm capacidades limitadas.
Em resumo: o Guadiana estreia em outubro com um programa pensado para debater temas urgentes, celebrar a diversidade de vozes ibero‑atlânticas e tornar Évora, por três dias, um centro de encontro cultural aberto a todos.











