Tomar ainda longe da recuperação seis meses após Kristin: autarca pede ação

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Seis meses depois das tempestades que abalaram Tomar, a fase de emergência foi formalmente encerrada, mas a recuperação segue lenta e com problemas concretos: há vivo risco de incêndio na mata, estruturas instáveis que ameaçam residências e muitas obras ainda por concluir. A cidade encara agora a contagem dos custos reais e a pressão por intervenções mais rápidas.

O presidente da Câmara, Tiago Carrão, disse à Lusa que, apesar de o pico da crise ter passado, a intervenção pós-catástrofe permanece vasta e complexa. Grande parte do território municipal — desde equipamentos públicos e habitações até a floresta e o rio Nabão — sofreu estragos que continuarão a exigir ações nos próximos meses.

Floresta: limpeza e risco de fogo

Os trabalhos de remoção de árvores e de restauro na Mata Nacional dos Sete Montes prosseguem, mas o rasto de destruição deixado pela tempestade de 28 de janeiro e as intempéries seguintes mantém o local vulnerável. Com as atuais temperaturas altas, cresce a probabilidade de incêndios florestais e a necessidade de concluir as limpezas para reduzir riscos.

Mata com vegetação seca e árvores danificadas, vulnerável a incêndios
Risco elevado de incêndios florestais na Mata Nacional dos Sete Montes com temperaturas altas

Hundreds of trees were felled and several taludes remain unstable; the municipality is prioritizing safety measures before allowing full access. Enquanto a reabertura total está a ser preparada para outubro, a Câmara planeia autorizar visitas condicionadas assim que as condições mínimas de segurança forem garantidas.

Estruturas críticas e habitação em risco

Entre as infraestruturas afetadas, a Escola Básica da Junceira permanece encerrada por danos severos, e a autarquia prevê lançar a obra de recuperação ainda este ano. Outros equipamentos municipais, estradas e muros danificados continuam a exigir intervenções que não podem ser adiadas, sobretudo quando a chuva regressar.

Estrutura danificada com sinais de deterioração estrutural e necessidade de reparação
Infraestruturas críticas como a Escola Básica da Junceira aguardam obras de recuperação urgentes

Um muro na área da Mata sofreu perda de estabilidade e representa perigo direto para casas vizinhas; as obras urgentes para estabilizá‑lo já fazem parte do plano de trabalho municipal.

Energia, telecomunicações e segurança pública

A devolução plena dos serviços não está concluída: há zonas sem iluminação pública funcional, cabos expostos e postes fragilizados. O presidente municipal pediu às operadoras que acelerem as reparações por razões óbvias de segurança.

As telecomunicações foram, em geral, restabelecidas, mas persistem falhas pontuais que afetam moradores e serviços locais durante a recuperação.

Apoios recebidos e lacunas financeiras

Até agora, a Câmara de Tomar recebeu cerca de 800 mil euros destinados à resposta aos estragos, valor considerado insuficiente face ao universo de prejuízos estimados inicialmente em torno dos sete milhões de euros — montante que pode aumentar à medida que termina o levantamento de danos nas freguesias.

Relativamente aos apoios pessoais, foram apresentadas cerca de mil candidaturas à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) para recuperação de habitação permanente; aproximadamente 700 processos já receberam financiamento, num total que ronda os três milhões de euros. Pelo regulamento municipal “Recuperar Tomar” foram ainda apoiadas cerca de 40 candidaturas locais.

Duas IPSS do concelho continuam a reportar perdas de grande dimensão — na casa das centenas de milhares de euros — e o município admite que poderá ser necessário complementar os apoios para assegurar serviços sociais essenciais.

  • Perdas iniciais reportadas: cerca de 7 milhões de euros (avaliação em curso).
  • Apoios municipais recebidos: ~800 mil euros até ao momento.
  • Candidaturas CCDR: ~1.000 submetidas; ~700 financiadas (próximos de 3 milhões de euros).
  • Mata: reabertura total prevista para outubro, com visitas condicionadas antes dessa data.
  • Prioridades: reparação de muros instáveis, restauro de infraestruturas e aceleração das intervenções das operadoras.

As freguesias mais afetadas no concelho incluem Sabacheira, Além da Ribeira e Pedreira, Casais e Alviobeira e Olalhas, embora danos tenham sido registados por todo o município.

Tiago Carrão sublinhou que a principal lição deste episódio é a necessidade de reforçar a preparação para eventos extremos, com investimentos em comunicações, energia e proteção civil. Segundo o autarca, a resposta coordenada de bombeiros, forças de segurança, juntas e voluntários foi determinante na fase aguda — agora, a reflexão deve traduzir‑se em ações permanentes.

No plano nacional, as tempestades (entre as quais Kristin, Leonardo e Marta) provocaram impactos muito superiores em escala: dezenas de vítimas, centenas de feridos, milhares de desalojados e prejuízos totais avaliados em milhares de milhões de euros. O Governo declarou a situação de calamidade para dezenas de concelhos e anunciou o programa PTRR (Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência), com um envelope para medidas de recuperação e resiliência que se estende até 2035.

Para Tomar, o calendário de ocupação das verbas e a rapidez das intervenções determinam se os riscos imediatos — incêndio, desabamentos e falhas de serviços — serão mitigados antes que causem novos danos. A cidade segue, portanto, numa fase delicada: saída da emergência formal, mas ainda no meio de uma reconstrução que exigirá tempo, coordenação e recursos adicionais.

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