Provedor dos animais de Lisboa fica sem recondução após oposição da direita na assembleia municipal

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Na sessão de hoje da Assembleia Municipal de Lisboa, os deputados rejeitaram a proposta da Câmara para renovar o mandato do provedor dos animais, numa votação que expôs rachas políticos sobre transparência e participação das associações de proteção animal. O desfecho mantém a questão em aberto e levanta dúvidas sobre como será supervisionado o trabalho da Provedoria nos próximos quatro anos.

Votação e resultado

A proposta submetida a sufrágio, relativa à recondução de Pedro Emanuel Paiva por mais quatro anos, foi decidida por voto secreto. Dos 71 deputados que votaram, 40 foram contra, 28 a favor e houve três abstenções.

Considerando a distribuição dos lugares na Assembleia — 37 eleitos da esquerda e 38 da direita — o resultado indica que houve deputados do campo conservador que se opuseram à continuidade do atual provedor.

Por que o debate aqueceu

O ponto central da controvérsia foi a recusa, por parte de PSD, CDS-PP, IL e Chega, em autorizar audições públicas com as associações SOS Animal e Animal na Comissão de Ambiente. Várias bancadas de esquerda qualificaram essa decisão como uma forma de silenciamento das organizações que trabalham diretamente com animais na cidade.

Representantes de associações de proteção animal em reunião de discussão pública
As associações SOS Animal e Animal solicitaram audições na Comissão de Ambiente, que foram rejeitadas.

Do lado do PS, o deputado José Leitão criticou a recusa das audições e anunciou o voto contra. Para o PAN, a proposta deveria ter contado com a participação das associações que, na prática, conhecem os problemas do terreno. O Bloco lembrou que uma provedoria independente exige avaliação pública do mandato anterior antes de se aprovar novo financiamento.

Em resposta, representantes da direita disseram que a rejeição das audições não teve caráter censório. A deputada do PSD Maria José Cruz alegou que convocar duas associações implicaria, por coerência, ouvir dezenas de outras; a IL justificou a oposição pela proximidade da votação; o CDS-PP afirmou que as críticas das associações não refletiam mudança relevante em relação ao passado; e o Chega rejeitou a acusação de silenciamento.

  • Voto secreto: 40 contra, 28 a favor, 3 abstenções (71 votantes).
  • Audições propostas por PAN: rejeitadas por PSD, CDS-PP, IL e Chega.
  • BE exigiu avaliação pública, técnica e independente antes de validar despesas superiores a 233 mil euros associadas ao novo mandato.
  • Nomeação de Pedro Emanuel Paiva em 2022 já tinha sido alvo de reservas públicas por parte de várias associações de proteção animal.

Consequências imediatas

Com a proposta chumbada, a Câmara Municipal não concretiza hoje a recondução do provedor. Isso deixa a instância municipal de fiscalização dos assuntos animais em situação de incerteza, em particular sobre quem exercerá funções e como serão avaliados os resultados do mandato anterior.

Os argumentos trocados durante o debate incidem sobre transparência, participação das organizações da sociedade civil e sobre o escrutínio do uso de recursos públicos — questões relevantes para a gestão municipal e para os cidadãos interessados em políticas de bem-estar animal.

Outro ponto aprovado

A Assembleia aprovou por unanimidade uma recomendação da Comissão de Urbanismo relacionada com a petição que pede a manutenção dos miradouros do Bairro do Alto da Ajuda.

  • A Câmara foi aconselhada a informar previamente as Juntas de Freguesia sobre intervenções em espaço público.
  • Foi pedido reforço da participação e da informação aos moradores.
  • Ficou recomendado que, até ao final de 2027, seja realizada uma avaliação técnica rigorosa sobre a existência de humidades nos edifícios junto aos miradouros.

O caso mantém-se sob observação: a discussão revelou limites de consenso na Assembleia e sublinhou a pressão das associações e partidos que pedem uma maior abertura do processo decisório municipal.

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