Prémio Carlos Paredes: Sandra Martins e OMIRI distinguidos em Vila Franca de Xira

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O Prémio Carlos Paredes 2026 foi atribuído ex-aequo aos álbuns Vapor, de Sandra Martins, e Modas Novas e Algumas Velhas, do projecto OMIRI (Vasco Ribeiro Casais), numa decisão que pode dar novo fôlego a artistas emergentes e ao renovado interesse pela música popular portuguesa. A distinção, promovida pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, destaca trabalhos que reinterpretam tradições e ampliam a visibilidade desse repertório junto de públicos mais jovens.

O que o júri valorizou

Em comunicado, o júri apontou qualidades distintas em cada vencedor. No caso de Vapor, realçou-se o protagonismo do violoncelo, a qualidade técnica das interpretações e a excelência da gravação, descrevendo o disco como um projeto de grande consistência artística.

Detalhe de um violoncelo em estúdio a ilustrar o destaque do instrumento em Vapor
O protagonismo do violoncelo foi realçado pelo júri como ponto forte de Vapor.

Para Modas Novas e Algumas Velhas, o mérito foi ligado à capacidade de renovação e ao apelo junto de audiências menos familiarizadas com a música tradicional. O trabalho foi visto como uma aproximação livre de estigmas — nomeadamente os que frequentemente acompanham o rótulo “pimba” —, ajudando a ressignificar o repertório popular.

Quem compôs o júri

  • Luísa Amaro — representante da Câmara de Vila Franca de Xira
  • Rui Filipe dos Reis — representante da Sociedade Portuguesa de Autores
  • Telmo Lopes — autor e compositor
  • Viriato Teles — crítico musical

A escolha ex-aequo reflete uma leitura que valoriza tanto a qualidade interpretativa quanto a capacidade de reinvenção do património musical.

Por que isto importa hoje

Num momento em que a circulação de música passa principalmente por plataformas digitais e algoritmos, prémios como este funcionam como amplificadores: potenciam a presença mediática, aumentam oportunidades de concertos e podem facilitar convites a festivais ou colaborações. Para artistas com menor exposição, a distinção traduz-se em maior alcance e, muitas vezes, em sustentabilidade profissional.

Ilustração simbólica de música em plataformas digitais e algoritmos
Plataformas digitais e algoritmos moldam hoje a circulação da música popular.

Além do efeito imediato na carreira dos premiados, o reconhecimento público contribui para manter viva a discussão sobre identidade cultural e transmissibilidade intergeracional do repertório tradicional.

Vencedores anteriores e relevância histórica

  • Rão Kyao
  • Carminho
  • Pedro Caldeira Cabral
  • Ricardo Ribeiro
  • Pedro Jóia
  • Sexteto de Bernardo Moreira; Manuel de Oliveira; Carlos Alberto Moniz; projecto A Urtiga
  • Em 2025: Pedro Santos e João Pedro Silva, com Frutos Maduros

Desde a sua criação em 2003, o prémio tem procurado honrar a memória de Carlos Paredes e a sua influência, ao mesmo tempo que apoia a criação e divulgação de música não erudita que contribua para a valorização da identidade cultural portuguesa.

Próximos passos

A entrega oficial do Prémio Carlos Paredes 2026 incluirá uma cerimónia pública com um pequeno concerto apresentando a obra premiada. A iniciativa terá entrada livre; a data será divulgada pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira em breve.

Para a comunidade musical e para o público interessado em tradições sonoras, a distinção coloca Sandra Martins e o projecto OMIRI num espaço de maior atenção — e pode impulsionar novas leituras e consumos da música popular portuguesa.

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