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Um estudo da EY-Parthenon encomendado pela AHRESP revela que a restauração continuou a ter peso significativo na economia portuguesa em 2025, mas alerta para fragilidades acentuadas pela inflação. Os autores quantificam impacto em valor e emprego e pedem atenção das políticas públicas, especialmente no próximo Orçamento do Estado.
Dimensão económica e peso no emprego
Segundo o relatório, a restauração gerou 23,4 mil milhões de euros de valor acrescentado bruto em 2025, o que equivale a cerca de 7,6% do produto interno bruto.
Estudo aponta que a restauração pesou 7,6% do PIB e gerou 523 mil empregos em 2025
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O setor empregou diretamente 523 mil pessoas, ou 9,7% do total de emprego em Portugal. Além disso, calculam os autores, sustenta aproximadamente outros 260 mil empregos noutros setores.
Remunerações e receitas públicas
Em termos de rendimentos, a restauração representou 11,7 mil milhões de euros em remunerações, cerca de 7,9% do total nacional.
Também contribuiu com 6,45 mil milhões de euros em receita fiscal e contributiva, equivalente a 5,9% da receita total do país. Fora da atividade direta, o estudo estima 6,2 mil milhões de euros adicionais em remunerações geradas pela cadeia de valor.
Efeito multiplicador e ligação ao turismo
Os autores destacam um forte efeito multiplicador: para cada euro faturado nos estabelecimentos, o setor movimenta 2,5 euros na economia.
A restauração capta cerca de 24% da despesa turística e responde por 24,4% do valor acrescentado do turismo, reforçando o seu papel como pilar do sector turístico nacional.
Principais fragilidades
O relatório aponta fragilidades estruturais. Cerca de 91% das empresas do setor são microempresas, que geram apenas 39% do volume de negócios do ramo.

A margem líquida média das sociedades de restauração é reduzida, fixando‑se em 3,0%, contra 8,2% na economia nacional. Em 2020 essa margem chegou a ser negativa.
Os autores referem ainda que Portugal é um dos poucos países da União Europeia com um saldo negativo no setor, ou seja, registou mais encerramentos do que aberturas.
Risco financeiro e produtividade
A estrutura financeira também preocupa: 71% do balanço das empresas do setor é financiado por capital alheio, e a taxa de juro efetiva média subiu para 4,5%.
A produtividade por trabalhador foi estimada em 19,4 mil euros, cerca de 60% da média nacional, um indicador que aponta espaço para ganhos de eficiência.
Contexto de custos e alertas
A AHRESP recordou o rápido aumento da inflação no fim do período analisado: a estimativa rápida do INE apontou para uma inflação de 3,6% em setembro. A associação sublinha que a instabilidade internacional mantém elevada a incerteza sobre custos e procura.
Com margens apertadas e níveis elevados de endividamento, muitas empresas têm limitada capacidade de absorver novos choques de custo ou quedas na procura. A associação alerta para um efeito em cadeia que atinge fornecedores, emprego e receitas públicas.
Apelo às autoridades
A AHRESP defende que as fragilidades do setor sejam tidas em conta na formulação de políticas públicas e pede medidas que permitam às empresas suportar a pressão dos custos e preservar postos de trabalho.
O apelo surge com especial foco na preparação do Orçamento do Estado para 2027, segundo a associação.
Impacto local
O estudo salienta ainda a relevância regional da restauração. Em vários concelhos do interior e no Algarve, o setor representa entre 7% e 11% do tecido empresarial local, tornando‑o um componente importante da economia desses territórios.











