Do convívio no escutismo ao palco nacional: o quarteto Rumo Certo terminou em segundo lugar no The Voice Gerações 2026 e agora tenta transformar a visibilidade televisiva em um projeto musical sólido, com composições próprias e rotina de ensaios profissional. O que começou como encontros entre amigos em Aveiras de Cima e Sobral de Monte Agraço ganhou audiência e trouxe novas responsabilidades.
A trajetória do grupo — formado por João Cachado, Gabriel Tavares, Rodrigo Maurício e Rodrigo Santos — revela a mudança de ritmo exigida por um concurso televisivo. Não bastaram as apresentações: houve dias inteiros de preparação, noites mal dormidas e adaptações rápidas para tocar com banda profissional.
Por trás das imagens do programa, o trabalho foi intenso. Os ensaios incluíam repetições exaustivas, por vezes em locais improvisados, até acertarem detalhes técnicos e de articulação vocal. A evolução no estúdio e no palco forçou o coletivo a rever prioridades: o hobby precisou de organização, calendários e compromisso com prazos.
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| Membro | Origem | Função no grupo |
|---|---|---|
| João Cachado | Aveiras de Cima | Voz / Guitarra |
| Gabriel Tavares | Aveiras de Cima | Voz / Composição |
| Rodrigo Maurício | Sobral de Monte Agraço | Voz / Arranjos |
| Rodrigo Santos | Sobral de Monte Agraço | Voz / Produção |
Antes de aparecerem na televisão já existia uma base comum: o movimento escutista. A formação no escutismo continua a influenciar a forma como o quarteto encara o trabalho — com ênfase em disciplina, cooperação e responsabilidade coletiva. Esses valores, dizem, mantiveram-se presentes mesmo nos bastidores do programa.

O impacto imediato da participação foi sobretudo social e digital. Depois das transmissões, as contas do grupo passaram a registar um fluxo diário de novos seguidores e mensagens de público que nunca os conhecera antes. A mobilização local também se notou: juntas de freguesia, agrupamentos de escuteiros e instituições locais manifestaram apoio público e privado.
Mesmo com cansaço e momentos de tensão — fruto do perfeccionismo e da pressão competitiva —, o coletivo preservou um traço que considera essencial: a espontaneidade nas apresentações. Essa característica, afirmam, é parte do que os diferenciou e que pretendem manter ao desenvolver material próprio.
O que vem a seguir
- Estruturar uma rotina fixa de ensaios e sessões de composição.
- Produzir e lançar músicas originais para afirmar identidade artística.
- Manter ligação com as comunidades locais e parceiros que os apoiaram.
- Testar repertório ao vivo em espaços regionais antes de ambições maiores.
Para além do plano artístico, há uma componente prática: conciliar a música com empregos e compromissos pessoais. A experiência do concurso serviu como teste — provou que, com organização, é possível conciliar ambos os caminhos. O objetivo declarado é profissionalizar o projeto sem perder a autenticidade do início.
O segundo lugar no The Voice Gerações atuou como alavanca, mas não definiu um destino final. O grupo prefere falar em trajetórias: ampliar o catálogo, envolver-se mais com produção própria e explorar apresentações em diferentes palcos. «Enquanto houver desconforto, há caminho para crescer», resume uma das vozes do conjunto, sintetizando a ambição que agora orienta as decisões.
Em termos práticos, as próximas semanas devem ser dedicadas a composições, ensaios regulares e a preparação de gravações. Para quem acompanha a cena musical local, a evolução dos Rumo Certo será um indicador do efeito real que programas televisivos ainda têm na carreira de artistas amadores que decidem profissionalizar-se.











